Pela vida, pela demarcação, pela justiça climática.
A partir de sexta-feira (7/8), o STF julga o futuro dos povos indígenas e do meio ambiente no Brasil: os embargos do marco temporal, a nova Lei do Licenciamento Ambiental, a mineração em Terras Indígenas e a Moratória da Soja. Decisões que vão pesar por décadas, e que a Corte pretende tomar, no caso do marco temporal, em ambiente virtual, sem debate público.
A COPIME se une às demais organizações indígenas e exige que esse julgamento seja presencial, transmitido em sinal aberto, com a sociedade e os povos indígenas acompanhando cada voto.
O artigo 231 da Constituição já garante nosso direito originário à terra. O próprio STF já declarou o marco temporal inconstitucional por duas vezes. Mesmo assim, Congresso e setores do Judiciário seguem reinventando obstáculos: indenizações inchadas, permanência de invasores em terras já identificadas, criminalização das retomadas. Quando um povo precisa vencer a mesma batalha duas vezes, o problema não é mais interpretação, e sim, a recusa em cumprir a lei.
O mesmo movimento aparece no desmonte do licenciamento ambiental e na abertura de Terras Indígenas à mineração: diferentes frentes de uma só ofensiva, que troca floresta, clima e território por lucro de curto prazo.
Como organização que representa os povos indígenas da maior metrópole indígena do Brasil, a COPIME sente esse julgamento de forma especialmente direta: em Manaus e Entorno, o ecossistema amazônico atravessa nossas vidas, nossa cultura e nossas esperanças de futuro. É essa mesma floresta que está na mira das decisões que o STF tomará em agosto.
A COPIME se soma à APIB, a COIAB e ao movimento indígena nacional: que o STF julgue em plenário presencial e decida pela vida — não pelas atividades nocivas ao meio ambiente a aos povos originários, que só deixam destruição por onde passam.
Sem demarcação, não há clima. Sem território, não há futuro.