Liderando o impacto social e a garantia de direitos na Região Metropolitana de Manaus
Embora o cenário urbano seja dominado pelo cimento e pelo asfalto, Manaus é solo sagrado e território de resistência. Segundo o Censo 2022, somos a cidade com a maior população indígena do país, com mais de 71.000 parentes que vivem, trabalham e preservam a sua cultura no contexto metropolitano.
A COPIME atua como a ponte vital que garante que a migração para a cidade não signifique o apagamento da identidade. Não estamos apenas na capital; a nossa rede estende-se por toda a Região Metropolitana de Manaus (RMM), assegurando que o direito à saúde, à educação e à terra chegue a cada comunidade.
Nas ruas movimentadas de Manaus, onde o som das buzinas e a pressa do cotidiano parecem dominar, existe uma melodia mais profunda e antiga que se recusa a silenciar. Quando falamos em 36 Línguas Maternas, não falamos apenas de estatística; falamos de 36 formas diferentes de dizer “estamos vivos”, “estamos aqui” e “esta terra é nossa”.
Cada uma das 58 comunidades mapeadas pela COPIME é um santuário de memória. Na Aldeia Karuara, o cheiro da terra molhada e o plantio das frutíferas desafiam o avanço do cinza urbano. Na Comunidade Terra Preta, a meliponicultura ensina às nossas crianças que a doçura do mel ancestral é a nossa maior força contra a fome.
Da Aldeia Gavião ao território de Tururukari-Uka, a abrangência da COPIME é tecida por mãos de mulheres — as nossas guardiãs — que mantêm os rituais vivos no coração das casas de madeira e alvenaria. Ser indígena no entorno de Manaus é um acto de coragem diária: é pescar no rio que o asfalto tenta esconder e cantar em línguas que as paredes da cidade não conseguem abafar. A nossa abrangência é, acima de tudo, a prova de que o coração da Amazônia bate forte dentro de cada bairro, de cada vila e de cada beco onde um parente mantém a sua chama acesa.